Meu Perfil Fanático por esportes, Rafael Oliveira tem no futebol inglês o seu grande vício. Este blog será o espaço para análises táticas, técnicas, polêmicas, novidades e qualquer coisa ligada ao que de melhor (ou pior) acontece na Inglaterra. Dentro do possível, outras divisões também serão assunto por aqui. E, claro, sua participação é fundamental, deixando opiniões, perguntas e sugestões de posts.
INGLATERRA NÃO TEM DO QUE RECLAMAR NO SORTEIO DA COPA
O sorteio dos grupos da Copa do Mundo é aquele dia em que começa a tensão da maior competição de futebol do planeta. E que todos começam a fazer previsões (que normalmente não dão certo no fim).
Para a Inglaterra, o grupo foi ótimo. A seleção caiu na chave C, junto com EUA, Argélia e Eslovênia. Na teoria, tudo tranquilo, apesar de uma estreia que pode ser complicada. É claro que em uma Copa, não existe essa facilidade toda para ninguém, pois todas as partidas são tensas.
A seleção dos EUA é a mais complicada principalmente pelo que apresentou na Copa das Confederações. Outro detalhe comentado por Fabio Capello é que a Inglaterra enfrentou dois de seus adversários recentemente. Diante dos EUA, venceu por 2x0 em Wembley. Contra a Eslovênia, não jogou bem e fez 2x1, sofrendo o gol nos minutos finais. A Argélia é o adversário mais "desconhecido" dos ingleses, mas não representa um grande risco (se o English Team jogar o que pode, claro).
Em relação aos cruzamentos, garantindo o primeiro lugar, o adversário seria o segundo do grupo da Alemanha. Se der a lógica e a equipe alemã ficar na frente, a briga seria entre Sérvia e Gana, com a Austrália correndo por fora. Também não seria nenhum país de peso. Mas por enquanto tudo é palpite. Agora nos resta esperar pelo início da Copa. E esse dia 11 de junho não chega...
A precoce eliminação do Liverpool foi a grande surpresa da primeira fase da Liga dos Campeões. Ninguém imaginava que um clube tido como “copeiro” e com um ótimo histórico recente ficaria fora do “mata-mata”.
A queda aumenta demais a pressão sobre o técnico Rafa Benitez e quebra o principal argumento que mantém o espanhol no cargo há algum tempo. Desde que assumiu o Liverpool em 2004, Benítez nunca chegou perto de acabar com o jejum no Campeonato Inglês, que não é conquistado desde 1990.
Mas na hora de fazer a análise do trabalho do treinador, todos dizem: “é o técnico das copas e não podem demiti-lo por causa dos resultados na Liga dos Campeões”. De fato, ele conquistou a competição em 2005 e foi vice-campeão em 2007. Além disso, nos cinco anos a frente da equipe, os Reds voltaram a representar uma força continental com uma expressão que não era vista desde os anos 80.
E agora? Má campanha no Inglês e eliminação ainda na fase de grupos. Como segurá-lo no cargo? Os polêmicos donos Tom Hicks e George Gillett já criticaram as decisões de Benitez e ameaçaram trocar de técnico algumas vezes. O grande “problema” é que os torcedores o adoram.
A crise no Liverpool é real e Rafa Benitez nunca esteve tão próximo de deixar o clube, pois já não existe mais aquele argumento. Particularmente, não vejo o treinador como maior culpado. O elenco não é excelente, mas o que pesou foi perder Gerrard e Torres, lesionados exatamente quando o time tentava se adaptar à saída de Xabi Alonso, uma das peças mais importantes. Não há equipe que agüente tantos problemas sem cair de produção, mas o desgaste do espanhol é preocupante.
AVRAM GRANT PODE SER O NOVO TÉCNICO DO BAGUNÇADO PORTSMOUTH
A crise no Portsmouth continua. Desde que foi campeão da Copa da Inglaterra na temporada 2007/08, tudo começou a dar errado no clube. Não apenas por azar, mas principalmente pela má administração e pelas decisões equivocadas.
A demissão de Paul Hart na terça-feira me pareceu mais uma. O técnico é quem menos tem culpa pela colocação na tabela, ocupando a lanterna desde o início da temporada. Aliás, ele foi quem teve peito para assumir a grande bagunça que é o Portsmouth. Os resultados no início da temporada foram péssimos, e ainda são ruins, mas não tinha como cobrar nada muito melhor com o elenco que sobrou e os "remendos" que tentaram buscar em equipes da segunda divisão.
O clube entrou na Premier League com um elenco vergonhoso, muito abaixo do nível do campeonato. E Paul Hart conseguiu fazer progresso, pelo menos jogando de igual para igual nas últimas rodadas. Luta não faltou em momento algum, e a torcida reconhece isso. Em primeiro lugar, porque Hart não fez questão de reclamar das inúmeras lambanças da direção, que, por exemplo, dispensou o seu principal auxiliar e deixou o técnico sem um "braço direito".
Pior ainda é ver o bilionário Al-Fahim comprar o clube prometendo milhões em contratações e fazendo a torcida acreditar que a mudança de "time falido com péssimo elenco" para "rico com elenco competitivo" seria da noite para o dia. Para relembrar os principais acontecimentos dos últimos meses:
05/2008 - Vence a Copa da Inglaterra 10/2008 - O técnico Harry Redknapp sai para assumir o Tottenham. Tony Adams assume. 01/2009 - Lassana Diarra e Jermain Defoe, os dois melhores do dia, são vendidos. 02/2009 - Tony Adams é demitido por vencer apenas dois dos 16 jogos disputados. Paul Hart assume e salva o time do rebaixamento 05/2009 - Com o clube afundado em dívidas, Gaydamak aceita a proposta de Al-Fahim, mas não evita que os quatro melhores deixem o time (Peter Crouch, Sylvain Distin, Niko Kranjcar e Glen Johnson) 07/2009 - A compra ainda não havia sido regularizada, mas Al-Fahim já mandava. Ele mexe no cargo do diretor Peter Storrie e tudo fica parado em relação ao planejamento para a temporada. 08/2009 - A compra de Al-Fahim finalmente é regularizada, mas não há tempo para contratar. 09/2009 - O Portsmouth faz o pior início da história da Premier League, perdendo nas sete primeiras rodadas. 10/2009 - Avram Grant é contratado para ser o diretor de futebol. Ali Al-Faraj compra 90% do clube, deixando apenas 10% para Al-Fahim. 11/2009 - Ainda na lanterna, Paul Hart é demitido.
AVRAM GRANT DEVE ASSUMIR
Após a demissão de Hart, na terça, fica a dúvida sobre quem deverá assumir. O nome mais provável é o de Avram Grant, técnico vice-campeão da Liga dos Campeões com o Chelsea, na temporada 2007/08. Não há nada de oficial sobre o assunto, mas a tendência é que esta seja a decisão. Grant já está no clube e estaria apenas aguardando a permissão para treinar, o que pode sair já na sexta-feira. O outro nome especulado, mas com bem menos expressão é o de Darren Ferguson, filho de Alex Ferguson e que recentemente foi demitido do Peterborough.
A torcida do Portsmouth se manifestou a favor de Grant ou Alan Curbishley, ex-técnico de Charlton e West Ham, dizendo que a experiência é fundamental para tentar controlar a bagunça. Os torcedores criticam a decisão de ter deixado Paul Hart começar a temporada como treinador, alegando que o trabalho dele na temporada passada foi sensacional, mas que ele deveria ter voltado para sua função como auxiliar e responsável pelas categorias de base, em que é muito elogiado e tido como um dos melhores. Peter Crouch, Sylvain Distin, Niko Kranjcar and Glen Johnson
POLÍTICA INTERNACIONAL
Nada é tão ruim que não possa piorar. Quando a fase não é boa, surge de tudo. Mal pintou a possibilidade de Grant assumir o Portsmouth e já levantaram um possível problema: Al-Faraj é saudita e Grant é israelense.
A Arábia Saudita nem sequer reconhece Israel como um país. Além de não existir relação diplomática entre as nações, ainda há um boicote entre eles, como lembra Mike Norrish, do Telegraph. Em sua coluna diária, o jornalista brinca dizendo que o Portsmouth não vai ganhar absolutamente nada no futebol, mas, de repente, pode até conseguir um Prêmio Nobel da Paz por unir um representante de cada lado.
COPA DO MUNDO TERÁ JOGADOR RESERVA DE TIME DA QUARTA DIVISÃO
Como o Vitor Sergio já abordou em seu blog, a Fifa conseguiu colocar dois times da Oceania na Copa do Mundo de 2010. E com a classificação da Nova Zelândia, poderemos ter algo no mínimo curioso: a presença de um jogador que atua na quarta divisão inglesa. E que ainda é reserva!!!
Trata-se do atacante Kris Bright, de 23 anos. O jogador chegou nesta temporada ao Shrewsbury Town, atualmente sétimo colocado na League Two. Outro detalhe: não marcou um gol ainda! Costuma entrar ao longo dos jogos, mas é reserva do artilheiro Dave Hibbert (não que isso seja muito relevante).
Seu lugar na seleção não é garantido, até porque ele foi chamado para o duelo contra o Bahrein na última hora, substituindo um companheiro lesionado. Mas de qualquer forma, seria bizarro ter um cara da quarta divisão inglesa na Copa do Mundo, principalmente se lembrarmos alguns nomes que não se classificaram: Ibrahimovic, Arshavin, Modric, Petr Cech, Zhirkov, Dzeko, Misimovic, Ibisevic, Bellamy, Adebayor, Rosicky, Hleb, Eduardo da Silva, Robbie Keane, Given, Olic, Valencia, Benayoun, Vermaelen e dezenas de outros nomes.
O técnico do Manchester United, Alex Ferguson, declarou: “a disputa pelo título começa agora”. E por que duvidar? Os Diabos Vermelhos estão cinco pontos atrás do Chelsea após 12 rodadas.
Ferguson sabe o que fala. Não só pelos 23 anos no comando do clube, mas por conhecer como poucos cada período da temporada. Para ele, passado o drama das eliminatórias, agora o campeonato começa de verdade, pois finalmente terá continuidade, já que a próxima “data FIFA” é apenas em março.
Segundo Ferguson, o momento do United precisa começar neste sábado, contra o Everton. Ele sabe que, apesar dos problemas de lesões, é hora do elenco fazer a diferença, aproveitando também o calendário apertado de fim de ano, agravado pela Copa Africana de Nações em janeiro, que prejudicará principalmente o Chelsea.
Com ou sem a competição africana, o histórico recente mostra como não se pode descartar o Manchester da briga. Na temporada passada, após 12 rodadas, o time estava com os mesmos cinco pontos de desvantagem em relação aos líderes, na época Chelsea e Liverpool. Nada disso impediu a arrancada e a conquista do título. Em 2007/08, o Manchester também não era líder no início da temporada, tropeçando enquanto o Arsenal estava invicto. Exatamente na virada do ano, o time de Ferguson mostrou força no período em que a briga pega fogo.
No atual campeonato, o Chelsea não tem a instabilidade dos tempos de Felipão e nem sofre com a inexperiência que pesou no Arsenal. O time de Ancelotti é mais eficiente, mas o grande detalhe poderá estar exatamente nos meses de dezembro e janeiro, quando “a briga começa” e o adversário sabe como crescer.
QUANTIDADE DE LESIONADOS NO CAMPEONATO INGLÊS IMPRESSIONA
Todo início de temporada, falamos na importância de reforçar os elencos, pensando no número de jogos que cada clube disputará e na quantidade de lesões que podem aparecer no meio do caminho. O grande problema é que a "época das contusões" (normalmente mais para janeiro) foi "antecipada" e está dizimando o campeonato. Salve-se quem puder (ou tiver elenco)!
Todos os times vêm sofrendo com isso, como podemos ver na tabela dos contundidos, logo abaixo:
ARSENAL - Van Persie, Clichy, Denilson, Walcott, Bendtner, Wilshere, Djourou, Diaby e Gibbs ASTON VILLA - Curtis Davies e Downing BIRMINGHAM - O'Connor, Martin Taylor e Daryl Murphy BLACKBURN - Grella BOLTON - Cohen, Riga, Shittu, Sean Davis e Joey O'Brien BURNLEY - Jay Rodriguez, Paterson e McCann CHELSEA - Drogba, Ballack, Lampard, A.Cole, Zhirkov e Bosingwa EVERTON - Arteta, Jô, Pienaar, Jagielka, Phil Neville, Osman, Vaughan e Anichebe FULHAM - Kamara, Danny Murphy e Andy Johnson HULL CITY - Ashbee e Myhill LIVERPOOL - Agger, Benayoun, Fabio Aurélio, Riera, Glen Johnson, Gerrard e Torres MANCHESTER CITY - Robinho, Onuoha e Mwaruwari MANCHESTER UNITED - Berbatov, Welbeck, Park e Hargreaves PORTSMOUTH - Finnan, Primus, Ward e Utaka STOKE CITY - Sidibe, Diao e Faye SUNDERLAND - Cattermole, Zenden, Gordon e Mensah TOTTENHAM - Lennon, Modric, Bassong, Giovani dos Santos e Cudicini WEST HAM - Carlton Cole, Dean Ashton, Boa Morte, Dyer e Ilunga WIGAN - Figueroa WOLVERHAMPTON - Foley, Ward, Hill, Jones, Iwelumo e Murray
A derrota por 1x0 foi um resultado normal e esperado. A seleção inglesa entrou em campo com apenas dois titulares, sabendo que o grande objetivo do amistoso seria observar os jogadores que pretendem fazer parte do grupo que vai disputar a Copa do Mundo em 2010. (Lembrando que Green, G.Johnson, Terry, Ferdinand, A.Cole, Lampard, Lennon, Gerrard e Heskey não atuaram)
A Inglaterra não jogou bem. Isso é fato. Mas também não foi uma tragédia, principalmente no primeiro tempo. Um time muito modificado, mas que mostrou concentração para se defender com qualidade. A não ser pelo lado direito, com a péssima atuação de Wes Brown, que deixou Nilmar jogar a vontade o tempo todo. Foi por ali que, no segundo tempo, o Brasil chegou ao gol e conseguiu o pênalti. Faltou volume de jogo, algo facilmente explicado pelas ausências de Lampard e Gerrard. A velocidade de Lennon na direita não foi substituída. Na segunda etapa, o time se perdeu e foi pressionado em alguns momentos. De qualquer forma, o discurso de "falta elenco" não existe! Nenhuma equipe no mundo tem resposição para nove titulares importantes ao mesmo tempo! É óbvio que eles fariam falta!
Ben Foster - Foi bem, apesar de ter cometido o pênalti. Não é um goleiro confiável, mas não comprometeu. Achei que Hart teria uma chance, mas Green continua sendo o melhor para a posição.
Wes Brown - Pior em campo. Já não deveria ter sido convocado e só fez lambanças. Capello precisa descobrir um reserva para Glen Johnson com urgência.
Matthew Upson - Começou mal, prejudicado por precisar sempre fazer a cobertura de Brown. Depois cresceu um pouco, mas ficou aquém do que pode jogar. Hoje, é o melhor companheiro para Terry na zaga.
Joleon Lescott - Apesar de viver uma fase ruim no City, foi bem na partida. Até achava que Gary Cahill merecia mais a vaga de titular no amistoso, mas Lescott foi bem e vem se firmando na briga pela quarta vaga de zagueiros. Só precisa tomar cuidado com o seu posicionamento, já que "desliga" do jogo em vários momentos.
Wayne Bridge - Sua vaga na Copa começa a ficar ameaçada. Não apoiou e ainda cedeu espaços na marcação. Warnock tem tudo para ganhar espaço se jogar na seleção o que vem fazendo no Aston Villa.
Wright-Phillips - Não jogou bem e não conseguiu aproveitar a oportunidade, exatamente quando poderia ter se destacado atuando nas costas de Michel Bastos. Briga em uma das posições mais concorridas do elenco, com Aaron Lennon, Theo Walcott e David Beckham. Não pode bobear.
Gareth Barry - Foi quem tentou segurar mais a bola e ditar o ritmo de um meio campo muito pouco efetivo. Foi bem na marcação e trocou bons passes na saída de bola, mas não teve companhia. É titular da seleção e sua vaga está garantida em 2010, a não ser que sofra alguma lesão.
Jermaine Jenas - Não vem jogando o suficiente para ser titular da seleção, e ficou sobrecarregado como o responsável pela criação na faixa central. Não funcionou, mas pode melhorar e ainda briga por vaga na Copa, apesar de estar atrás de Lampard, Gerrard, Barry, Carrick e, eventualmente, Hargreaves. Huddlestone merecia mais ter sido o titular, assim como Rodwell poderia ter sido chamado no lugar do jogador.
James Milner - Já é realidade e vem se firmando no elenco. Foi quem mais se destacou na criação, dando trabalho aberto pelo lado esquerdo. É um excelente jogador e pode atuar pelos dois lados, além de ser muito bom taticamente, podendo até ser improvisado na lateral, se necessário.
Wayne Rooney - Sobrecarregado devido aos desfalques. Lutou bastante dentro das possibilidades. Não foi mal, mas faltou apoio do meio campo.
Darren Bent - Praticamente não tocou na bola. Receber uma oportunidade diante do Brasil e quando o time está totalmente desfigurado não é lá uma grande vantagem. Entrou numa fria. Não pode ser massacrado por isso. Pelo que vem jogando no Sunderland, merece ter outras chances, de preferência quando o time estiver completo.
TOTTENHAM TEM LUCRO RECORDE MESMO GASTANDO MAIS QUE OS GRANDES
Nos últimos 16 meses, o Tottenham só não gastou mais dinheiro em contratações do que o Manchester City. Foram quase 150 milhões de libras. Até o fim da temporada passada, em jun/09, pouco mais de £119 milhões foram investidos. Depois, mais £29.4 milhões foram gastos para contratar Peter Crouch, Sebastien Bassong e Niko Kranjcar.
Todos esses números impressionam, principalmente por serem superiores aos de Manchester United, Chelsea, Liverpool e Arsenal. E para completar o "milagre econômico" dos Spurs, a diretoria anunciou hoje o balanço financeiro da última temporada (jul/08 até jun/09), com um lucro recorde de £33.4 milhões, muito em função das vendas de jogadores.
O presidente Daniel Levy acredita que o progresso tem sido significante no projeto a longo prazo existente no clube. E realmente chama atenção pelos objetivos ousados.
Harry Redknapp assumiu em outubro de 2008 com a responsabilidade de reconstruir um elenco destruído pelo mau momento, quando o técnico Juande Ramos havia começado o Campeonato Inglês com sete derrotas e dois empates. Desde então, o Tottenham subiu de forma impressionante e, hoje, sonha com uma vaga na Liga dos Campeões, ocupando atualmente a quarta colocação.
E não para por aí. Além de ter "um dos melhores elencos de sua história recente", segundo Daniel Levy, o Tottenham tem uma das melhores estruturas do país para as categorias de base e acaba de lançar um incrível projeto para a construção de um mega-estádio sensacional, com capacidade para 56 mil pessoas.
O projeto do novo complexo, divulgado há cerca de 15 dias, inclui também a construção de 434 apartamentos, um hotel com 150 quartos e um supermercado. De acordo com o presidente, a ideia é ter uma área "vibrante" durante os 365 dias do ano, e não apenas quando o time estiver em campo.
Apesar do desejo da Inglaterra de sediar a Copa do Mundo de 2018, o Tottenham não quer saber de esperar. O clube pretende deixar tudo pronto para fazer a estreia já na temporada 2012/13. Os direitos do nome do estádio serão negociados com alguma empresa ainda não anunciada. Aliás, o Tottenham já negocia um novo contrato de patrocínio para a camisa da próxima temporada, o que deve aumentar ainda mais a receita do clube.
Sinceramente, a minha impressão é quase de perseguição... E a dos ingleses mais ainda. Afinal, quando o presidente da Uefa se esforçou para fazer qualquer tipo de elogio ou comentário positivo sobre o campeonato mais forte e que mais movimenta dinheiro do continente?
Eu não me lembro. Aliás, muito pelo contrário. Todas as declarações de Platini são críticas à hegemonia inglesa, o que é uma opinião aceitável para quem deseja nivelar o futebol europeu. Mas existe um limite.
Quem não se recorda da Liga dos Campeões? O francês estava inconformado e disse que faria o possível para evitar uma nova final entre ingleses. O resultado? A vergonhosa arbitragem da partida entre Chelsea e Barcelona, na semifinal. Tom Henning deixou de marcar pelo menos três pênaltis claros para o Chelsea e a Uefa simplesmente não se manifestou sobre o caso. Óbvio, pois o presidente estava feliz da vida (não que o Barcelona não tenha merecido o título - era o melhor time, mas ter eliminado o Chelsea foi um absurdo!)
Mas isso é passado. A polêmica agora é sobre o interesse da Inglaterra em sediar a Copa do Mundo de 2018. A Federação Inglesa (FA) quer avançar com o seu projeto, mas vem encontrando sérios obstáculos políticos.
Dentro do continente, a briga seria com Espanha e Rússia, se Platini não estivesse disposto a atrapalhar mais uma vez. Até porque, os ingleses pedem apenas uma disputa justa e normal, acreditando que levariam vantagem no aspecto técnico (estádios, infra-estrutura, hotéis, etc).
Mas o presidente da Uefa quer fazer diferente. Ele acredita que a Europa tem mais chances de receber uma Copa do Mundo caso os oito representantes do continente (entre os 24 executivos da Fifa) votem unidos. A ideia até pode fazer sentido, mas o próprio Platini já reconheceu que não existe a menor chance de que os votos sejam feitos em conjunto.
Desta forma, como diz o jornalista Henry Winter (Telegraph), a "FA passa por uma longa e desnecessária espera, para saber um sinal de Platini sobre qual sede apoiará". Durante este período, nada de concreto pode ser feito, pois não existe a menor garantia.
Além disso, a imprensa inglesa repercutiu muito um comentário recente sobre as chances de receber o mundial de 2018. Segundo Danny Jordan, chefe do vitorioso projeto da África do Sul para 2010, a expectativa é de que, para a Inglaterra ser escolhida, precisará contar com os quatro votos da África. Isso porque dentro da Uefa, o único apoio esperado é o de Geoff Thompson, ex-presidente da FA. A provável candidatura Espanha-Portugal deve receber apoio sul-americano. Ou seja, segundo as projeções inglesas, o panorama não é muito animador.
NOVIDADES NA LISTA MOSTRAM QUE CAPELLO SABE O QUE ESTÁ FAZENDO
Cada vez mais, é a impressão que tenho em relação ao trabalho do técnico italiano. Fabio Capello divulgou neste domingo a lista de convocados da seleção inglesa para encarar o Brasil. Os nomes chamados só provam como a análise de Capello é a de quem realmente acompanha com cuidado os jogadores que tem à disposição.
Gerrard foi poupado por se recuperar de lesão e por já ser nome certo na Copa de 2010. Aliás, fica claro que o objetivo é a África do Sul, e não exatamente o amistoso do próximo sábado.
Para o gol, a novidade é Joe Hart, mas segue o mesmo drama. Continuo achando que Green é, sem dúvidas, o melhor deles. Na defesa, Stephen Warnock ganha uma chance, muito merecida pelo que vem jogando no Aston Villa. Ele serve como forte sombra para Wayne Bridge na disputa pela reserva de Ashley Cole, que ficou fora da lista. O ponto negativo é Wes Brown na direita, como reserva de Glen Johnson. O lateral do Man Utd ainda está longe de ter ritmo de jogo, após tanto tempo afastado por lesão.
Na zaga, Ferdinand fica fora por lesão, mas serve como alerta pelas péssimas atuações recentes. Hoje, não há dúvidas de que Upson é o melhor companheiro para Terry, até por causa da lesão de Jagielka e da má fase de Lescott. Gary Cahill é uma boa aposta para o setor, mas vem sofrendo com a lamentável campanha do Bolton.
No meio, vamos por partes. Entre os que atuam na faixa central, Barry, Lampard e Carrick são nomes certos e foram chamados. A grande novidade é a presença de Tom Huddlestone, cada vez mais importante no Tottenham. Jenas também foi chamado, na vaga que eu gostaria de ver com o jovem Jack Rodwell, que tem muito potencial mas tem afundado com o limitado Everton da atual temporada.
Para os lados do campo, a batalha continua interessante, principalmente na direita. Lennon, lesionado, ficou fora. Walcott também. Wright-Phillips e David Beckham estão na lista, além de James Milner, que pode fazer qualquer lado. Como Downing segue machucado, Gerrard foi poupado e Joe Cole ainda não está 100%, Ashley Young é o único "meia-esquerda" da lista.
No ataque, Darren Bent foi recompensado pelo bom momento que vem vivendo no Sunderland. Defoe está de volta após contusão e Peter Crouch é o grandalhão que sobrevive na lista, mostrando que a vida de Heskey realmente estará complicada enquanto for reserva do Aston Villa. Outro que sai do grupo é Carlton Cole, que foi bem nas oportunidades que recebeu e ainda está na briga pela vaga, mas a fase do West Ham não colabora em nada.
Goleiros: Ben Foster, Robert Green, Joe Hart.
Defensores: Wayne Bridge, Wes Brown, Gary Cahill, Glen Johnson, Joleon Lescott, John Terry, Matthew Upson, Stephen Warnock.
Meio-campistas: Gareth Barry, David Beckham, Michael Carrick, Tom Huddlestone, Jermaine Jenas, Frank Lampard, James Milner, Shaun Wright-Phillips, Ashley Young.
Atacantes: Darren Bent, Peter Crouch, Jermain Defoe, Wayne Rooney.
- A vitória do Liverpool no clássico foi justa. O que ninguém viu foi a provocação dos torcedores do Manchester United, já que os policiais recolheram todas as faixas e máscaras alguns minutos antes do início da partida. Na foto acima, uma faixa diz: "Vocês nos pediram para voltar quando tivéssemos vencido 18 títulos... Nós voltamos!".
- A 10ª rodada foi o típico caso de fim de semana que define quem realmente briga por alguma coisa. Dos oito primeiros colocados, apenas Chelsea e Liverpool venceram. Sunderland, Tottenham, Aston Villa, Manchester City e Arsenal perderam pontos que certamente farão falta mais para a frente no campeonato. O West Ham segue preocupando, mas a reação diante do Arsenal pode embalar o time de Zola, que tem qualidade para subir bastante na tabela. Outro time que melhorou foi o Wolves (principalmente pela volta de Michael Kightly). A equipe fez uma boa partida e finalmente viu seu artilheiro Ebanks-Blake desencantar na temporada.
BOLTON 3x2 EVERTON LIVERPOOL 2x0 MAN UTD MAN CITY 2x2 FULHAM WEST HAM 2x2 ARSENAL BIRMINGHAM 2x1 SUNDERLAND BURNLEY 1x3 WIGAN CHELSEA 5x0 BLACKBURN HULL 0x0 PORTSMOUTH TOTTENHAM 0x1 STOKE WOLVES 1x1 ASTON VILLA
- Na segunda divisão, o Middlesbrough anunciou Gordon Strachan, ex-Celtic, como novo técnico, após a demissão de Gareth Southgate, na semana passada. O time não está mal e ocupa a quarta posição, mas alguns resultados ruins em casa e o desentendimento com a diretoria provocaram a troca no comando.
Posto abaixo a minha coluna publicada hoje no jornal Campeão, falando sobre o clássico do domingo. Se realmente acontecer, a provocação será espetacular!
Isso é rivalidade!
Liverpool e Manchester United fazem o grande clássico do futebol inglês neste domingo. As principais equipes do país se enfrentam pela primeira vez na temporada que pode consolidar o United como o maior campeão nacional.
O momento é totalmente diferente nos dois lados. O Liverpool vem de quatro derrotas seguidas, pior sequência dos últimos 56 anos. O time não convence, o elenco é contestado e os torcedores já sabem quem culpar. O técnico? Nada disso! Rafa Benítez é o queridinho da galera. Para a torcida dos Reds, os culpados são George Gillett e Tom Hicks, os controversos donos.
Do lado do Manchester, o time pode não dar show, mas mantém a regularidade típica de Alex Ferguson, e é o líder. O domingo será de provocações, mesmo em minoria no estádio Anfield. Os 3.500 torcedores pretendiam levar balões para lembrar o gol irregular do último sábado, mas os donos da casa já garantiram confiscar qualquer objeto inflável na entrada do estádio.
A saída é ainda melhor! Existe uma campanha para que todos levem uma máscara do ídolo Eric Cantona. A explicação? Em 1994, quando o francês ainda estava em campo, o Man Utd empatou em 3 a 3 e comemorava o seu oitavo título inglês. O Liverpool, que já tinha 18 títulos, aproveitou para provocar e menosprezar o feito, exibindo a faixa “Até logo, Cantona e United. Voltem quando tiverem vencido 18”.
Quinze anos depois, vem a resposta. O Liverpool parou nos 18 e tem um jejum de 20 anos. Por sua vez, o Manchester, comandado por Ferguson, dominou as últimas duas décadas e empatou o número de títulos. No domingo, a única certeza é de que o clássico será fantástico dentro e fora de campo.
Na última temporada... O Liverpool conseguiu o “double”, vencendo os dois confrontos pelo Campeonato Inglês, com direito a um 4 a 1 histórico, em Old Trafford.
Dúvidas Rafa Benítez ainda espera contar com Steven Gerrard, Fernando Torres. No Manchester, a expectativa é para as voltas de Rooney e Giggs.
Brasileiros em campo Mesmo contestados, Lucas e Fábio Aurélio devem ser titulares no meio-campo do Liverpool, enquanto Anderson será o representante do outro lado.
Protesto A polícia local já se prepara para uma manifestação, em que 10 mil torcedores do Liverpool marcharão pedindo o afastamento dos dois donos do clube.
GOL DE BALÃO NÃO FOI O ÚNICO LANCE POLÊMICO DA RODADA
A Football Association anunciou que deve punir o zagueiro Robert Huth, do Stoke City, pela agressão a Matthew Upson, do West Ham, na partida de sábado. O alemão acertou um soco na cara do zagueiro inglês durante o famoso "empurra-empurra" dentro da área.
Martin Atkinson, árbitro da partida não viu e, apesar de Upson ter ficado com o olho roxo e levado pontos para diminuir o sangramento, nada foi marcado e nenhum cartão aplicado.
A imagem não deixa dúvidas. É óbvio que Huth deveria ter recebido o vermelho direto, e foi exatamente isso que Gianfranco Zola, técnico do West Ham, declarou após a partida. "Não falei com o árbitro sobre isso e nem acho que seja necessário. Prefiro deixar para as autoridades decidirem o que fazer", comentou o italiano.
Após ser indiciado pela Federação Inglesa, Huth tem até terça, 15h, para fazer a sua defesa e dar as suas explicações.
CARRINHO EM WALCOTT
Na vitória do Arsenal sobre o Birmingham, poderíamos ter visto um caso semelhante ao de Eduardo da Silva. Sorte de Walcott que o carrinho de Ridgewell acertou a bola. Não foi nem marcada a falta (eu até acho que realmente não foi), mas para se ter ideia da força da entrada do zagueiro, o jogador do Arsenal precisou sair de campo lesionado e deve desfalcar o time por umas três semanas. Até agora, a FA não se manifestou sobre o caso. Como disse o técnico Alex McLeish, "não foi falta e jogadas assim acontecem várias vezes". É verdade, mas o problema está exatamente na possibilidade do carrinho sair meio segundo atrasado e acabar com a carreira de alguém. Veja o lance no vídeo abaixo.
O DIA EM QUE OS INGLESES NÃO VIRAM A SELEÇÃO NA TV
A Inglaterra perdeu por 1x0 para a Ucrânia, jogando fora de casa, no sábado. Apesar do adversário ser fraco, a partida foi definida logo aos 13 minutos do primeiro tempo, quando Rio Ferdinand falhou feio (de novo!) e Robert Green cometeu pênalti, recebendo o cartão vermelho.
Shevchenko ainda errou a cobrança, mas a seleção parou com a desvantagem numérica. Capello errou ao tirar Lennon, que era a melhor opção para as saídas rápidas. Deveria ter sacrificado Emile Heskey, que ficou isolado na frente, sem ajudar em absolutamente nada, já que a seleção só se defendeu da pressão ucraniana.
A derrota pode até ter o lado positivo: tirar os 100% da campanha nas eliminatórias, evitando qualquer excesso de confiança. Mas o que marcou a partida não foi o resultado, e sim a forma com que os ingleses acompanharam o jogo.
O canal Setanta Sports havia comprado os direitos de transmissão, mas acabou falindo há alguns meses. Devido ao alto valor pedido pelos ucranianos, nenhuma outra TV chegar a um acordo. Resultado: a partida foi transmitida em uma rede de cinemas no país. Além disso, a saída foi testar a tecnologia da internet, cobrando pelo menos 15 reais dos interessados (em cima da hora, o valor ficou próximo dos R$ 40). Segundo os números divulgados, cerca de 500 mil pessoas pagaram para acompanhar o English Team na web.
UM PASSEIO PELO CONDOMÍNIO CONSTRUÍDO NO ANTIGO ESTÁDIO DO ARSENAL
O Estádio Highbury marcou época como a casa do Arsenal entre 1913 e 2006. Caracterizado pela proximidade dos torcedores com o gramado, além do diferente ângulo da câmera nas transmissões, ele foi substituído pelo moderno Emirates Stadium há três anos.
Pouco se fala sobre o que aconteceu em Highbury. Na época, havia a informação de que seria destruído para a construção de um condomínio. Mas depois da fantástica partida entre Arsenal x Wigan, que marcou a despedida da antiga casa, o assunto ficou esquecido.
Logo abaixo, posto uma matéria da BBC (em inglês) contando o estado atual. São 600 apartamentos, que custam entre 250 mil e pouco mais de um milhão de libras. Parte da fachada foi preservada, mantendo a cara do Arsenal. Por dentro, um banco homenageia os torcedores dos Gunners. Curiosa é a vista de alguns dos moradores, que contam com a vista para o Emirates Stadium, como mostra a repórter.